sexta-feira, 3 de julho de 2009
Movimentos sociais e a comunicação digital
Camarada Denis, parabéns pelo Blog!
A internet está aqui, ali, em todo lugar e temos que nos apropriar de todas as ferramentas disponíveis para nos informar, debater e formar opiniões.
A Conferência Nacional de Comunicação já está garantida, mas ainda temos que construir as conferências estaduais e municipais. Por isso, quanto mais discutirmos sobre democratização dos meios de comunicação, mais envolveremos a sociedade no assunto. O seminário promovido pelo Portal Vermelho foi um grande passo nesse processo de ampliação dos debates, mas ainda temos que fazer muito mais.
Precisamos trazer os movimentos sociais pra roda e mostrar como as oligarquias das telecomunicações criminalizam movimentos, como as grandes agências de notícias negligenciam manifestações e lutas populares, negando-lhes espaços honestos de publicidade, como mulheres, negros, deficientes, idosos são destratados tanto na maneira como são representados, como pelo conteúdo que lhes é imposto.
O movimento feminista há tempos luta pela democratização da imagem da mulher na mídia. O movimento negro exige espaços de ação afirmativa que trabalhem a favor da igualdade e da não discriminação. Os movimentos de terra e moradia suplicam por respeito ás suas bandeiras e pela não distorção de suas reivindicações e lutas. O movimento sindical exige um tratamento honesto na cobertura de matérias de mobilização de trabalhadores e sonha com o dia em que passeata e ato público não sejam noticiados como problemas de trânsito. As pessoas com deficiência exigem sua representação no espectro social como pessoas autônoma e produtivas, e precisam ter garantidos os acessos universais à todas as mídias de comunicação. Lésbicas, gays, travestis, transexuais também querem ver sua representação como cidadãos e cidadãs, muito além dos sempre falados lucros da Parada Gay uma vez que o movimento LGBT caminha na conquista política de direitos, e passa também pela democratização de sua imagem e não discriminação.
Quando os movimentos sociais se apropriarem das questões da comunicação, serão finalmente a voz de todo um povo que está cansado de ser gado e quer ser visto e mostrado como nação brasileira.
Abração, Denis.
Já espero as novas postagens.
"Propostas concretas para a democratização da comunicação"
O Portal Vermelho promoveu nesse final de semana, dias 27 e 28 de Junho em São Paulo, no Sindicato dos Engenheiros, o Seminário ''Propostas concretas para a democratização da comunicação''.
A primeira mesa teve como debatedores o professor Venício de Lima, da da UnB, professor Marcos Dantas da PUC/RJ e Altamiro Borges da Associação Vermelho. Os debatedores desenvolveram o tema "O papel da mídia na atualidade".
Os destaques deste primeiro momento ficaram por conta da percepção da pequena participação dos movimentos sociais nos crescentes debates preparatórios para a Primeira Conferência Nacional de Comunicação.
A UBM, representada no seminário, lembrou que o movimento de mulheres já tem discutido a bastante tempo as questões da imagem da mulher na mídia e a construção de identidade baseada em modelos comerciais e patriarcais. Lembrou também que na conferencia estadual de igualdade racial, durante aprovação do regimento, a plenária votou favoravelmente à criação de uma sala temática específica para discutir a comunicação, tamanha a importância do tema, percebida pelos movimentos sociais. O que há de fato, é um distanciamento do discurso das entidades pró conferência de Comunicação, que ainda bastante técnico, não alcança plena compreensão sobretudo dos militantes de base dos movimentos
sociais.
Por fim, a tônica das intervenções centrou-se na necessidade de se traduzir os conceitos específicos do que seja democratização dos meios de comunicação, para que a participação dos movimentos sociais seja efetiva e amplie o debate junto a população.
A segunda mesa de debates, que teve o tema "As mudanças legais na América Latina", teve como debatedores Beto Almeida - Integrante do comitê diretivo da Telesur, João Brant - Integrante da comissão de auditoria da radiodifusão do Equador e Celso Augusto Schröder - Presidente da Federação dos Jornalistas da América Latina e da FNDC.
Num painel amplo, sobre o histórico das telecomunicações na América Latina, os debates salientaram a necessidade de fortalecer o papel do Estado na regulamentação e na construção de políticas públicas dacomunicação.
Destacou-se ainda que a maior parte (senão todos) os processos de mudanças na comunicação que ocorrem na América Latina foram impulsionados por Estados nacionais fortes, e por movimentos de afirmação da soberania e fortalecimento de estado.
No segundo dia de atividades o tema foi "As propostas dos poderes Executivo e Legislativo" contando com a presença da deputada Luiza Erundina (PSB-SP), uma das mais atuantes parlamentares na luta pela democratização das comunicações ao lado da deputada Manuela D'Ávila (PCdoB-RS) para debater as propostas para o setor. Erundina fez um raio-x alarmante, mas se disse otimista porque apesar de adverso, o cenário abre espaços para a maior integração entre Congresso e sociedade.
A parlamentar comunista Manuela D'Ávila defendeu a regulamentação dasemendas constitucionais; colocar a questão das outorgas no centro das discussões do Congresso; criação de um sistema público de comunicação que seja verdadeiramente democrático, amplo, diversificado e de qualidade.
Manuela também defendeu uma política nacional de rádios comunitárias. É preciso que haja critérios que garantam diversidade, pluralidade e amplitude na distribuição e isso somente é possível contemplando-se um número maior de veículos.
Leia a cobertura completa do seminário no Portal Vermelho, nos links:
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=58751
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=58760